quarta-feira, 12 de setembro de 2012

????

   Dizem que já faz 2 meses que não chove. Eu até acredito, embora não tenha me cutucado a curiosidade de procurar o dia em que caiu a última gota de água no chão dessa cidade. O fato é que o ar está seco, muito seco. A verdade é que está quente, infernalmente quente.
   O culto da igreja na frente de casa é bem regular, 3 vezes ao dia de segunda a segunda. Acredito que a ordem mais comum dos pastores é "queima!", ao menos é o que eu mais ouço. Hoje algo queimou.
   Acho que os bombeiros daqui da cidade há tempos não tinham uma situação como esta: um galpão de uma beneficiadora de algodão pegou fogo. O caminhão desceu a avenida como um raio vermelho, luzes piscando em uma árvore de natal. Parece natal mesmo, as portas das casas se abriram, donas de casa com suas roupas confortáveis fitavam o comboio, como se fosse o da coca-cola. Crianças na janela procuravam papai noel no céu de fumaça. Nos bares, todos olhavam para o firmamento escuro, copo de cerveja na mão, um gole seco para apagar o fogo na alma.
   Não sei o que deveria sentir com tudo isso. Certamente prejuízos materiais ocorreram. Talvez pessoas tenham se machucado, não sei. Mas não consigo ter curiosidade em saber o que está ocorrendo, ou especular com as pessoas nas calçadas. A única coisa que consegui pensar era no céu escuro, sem estrelas, mas que não chorará nenhuma gota. Indiferente, o céu contemplará as luzes piscando, o povo correndo e o fogo ardendo, miseravelmente indiferente.
 





sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Tirando a poeira do teclado

     Já perdi a conta de quantas vezes fiz um post com o título "tirando a poeira do teclado"... é assim, esqueço por um tempo, daí eu penso em alguma coisa... "até que sairia um texto legal sobre isso"... daí esqueço novamente...
      Esse blog me acompanha há quanto tempo? Um bocado. E vez ou outra eu me lembro dele. Vez ou outra dá aquele comichão de escrever, sabe?
     Acho que é assim que funciona... vez ou outra dá uma vontade de acessar os rincões do passado, revisitar amigos, cavar lembranças da adolescência, da faculdade... rir de novo, chorar mais uma vez, aquele doce gosto de memória que amarga no finalzinho...
     Por vezes parece que você perdeu tanto... passou tão rápido, e entre oportunidades de abraços perdidos e sorrisos não dados, desperdiçados pela correria e pelo costume, pelo presentismo... parece que algo faltou... parece que algo foi roubado...
        O tempo, e em especial esse nosso tempo em que vivemos, é assim, efêmero, se desfaz tão rápido, um sopro, uma frente fria vinda de não se sabe onde muda tudo... e quando você menos percebe, amigos, parentes, quase parentes, estão espalhados por aí... acessíveis por essa rede maravilhosa que te dá essa possibilidade de sentir o gostinho doce mais uma vez... mas sempre vem aquele amarguinho no final...
         Só para dizer que sinto falta. Dos meus amigos de Poços, dos meus colegas de faculdade, dos amigos que fiz em Bauru, em Birigui, no trabalho, na sala, nos corredores, nos trailers... em todo lugar. Espero que em cada canto um pedaço de mim tenha ficado, porque um pedaço de cada canto eu trouxe comigo.

          É... só para tirar a poeira do teclado : )

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Leap of faith

Demorei para chegar aqui em cima. Certamente é bem alto. Não é possível sequer enxergar o fundo do vale... apenas vejo o escuro e o vazio...
O vento que sopra não me ajuda a decidir: agora me empurra para longe do penhasco, daqui a pouco me puxa para ele. É bom estar aqui. É confortável, é seguro. Me arrisquei quantas vezes saindo da zona de conforto? Poucas vezes, e acho que tive sorte em vir parar aqui. Confortável e seguro.
Mas não é aqui que quero estar. Definitivamente não é. Eu quero é continuar nesta situação, confortável e seguro. É a situação. Confortável e seguro, deitado nos pelos do coelho.
Mas a situação muda. O vento muda. E eu tenho medo de mudar. Mas melhor mudar por mim do que pela situação. Melhor tomar vantagem, antecipando o salto do que ser empurrado para o penhasco. Melhor não ser pego de surpresa. Melhor escolher, assumir as responsabilidades dos seus atos do que arcar com as consequências das decisões dos outros.
Sempre me arrisquei. A cada escolha que me trouxe para este confortável e seguro. De alguma forma essa mudança é para voltar para algo que eu sempre quis que durasse. Essa mudança é, quem diria, uma permanência. Talvez eu seja bom em mudar e nem tenha percebido.
Não retrocedo, eu recuo um pouco para tomar impulso.
Tenho medo. Mas medo é bom. É sinal que você se importa.
Um cheiro familiar de bolacha, vindo da imensidão incógnita, me convida a pular. Vozes conhecidas me chamam de dentro do desconhecido amanhã.
Recuo um pouco para tomar impulso.
Corro para o meu "leap of faith". Salto. Abraço meu incerto futuro. Ele tem cheiro de bolacha de maisena.
...
...
...
...
Então nos encontramos de novo, cidade com céu de bolacha!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Downpour

Pensadores afirmam que um grande passo no desenvolvimento da sociedade foi a racionalização dos eventos naturais. Algo como predição, previsão, chame como quiser. Conhecimento é poder.
Prever consequências, possibilidades. Controlar o externo, o que não depende de você. É um paradoxo: como controlar algo que tem sua existência independente da sua? Indiferente, que te ignora?
Talvez essa previsibilidade seja só um conforto, um agrado diante do monstro que se desdobra diante de nós. Um pequeno local de segurança no meio do caos que dança a sua volta, dos caminhos infinitos que se apresentam. Da responsabilidade das suas escolhas.
"Amanhã irá chover" que afirmação boba. E no final das contas chove. E ficamos felizes com a nossa grande façanha! "Oh futuro, oh amanhã, oh natureza, sabemos seus passos!"
E por puro desdém o céu limpa. O sol brilha. E quando você pisca os olhos, mães correm para o varal para recolher roupas, janelas vão se fechando, e antes que você note... está ensopado.
E quem sabe a moça do tempo até tenha te avisado "Possibilidade de chuva ao final da tarde". Mas a questão não é a chuva, nem a previsão.
A questão é que nunca estamos prontos para o aguaceiro.
Eu até trouxe a sombrinha.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

that´s my spot!

Sentir-se em casa não é fácil. Quero dizer, não sei se é fácil, não é para mim pelo menos. Talvez seja um pouco esquizofrênico, e com isso muitas pessoas irão concordar.
Desde setembro do ano passado tenho passado por uma situação de "não casa". Morando em um hotel durante 2 meses, depois indo para uma cidade "estranha" (me desculpem os adoradores de Rancharia) e agora vivendo em um hotel novamente.
Mas não é o simples fato de não estar em "casa". É o fato de não "sentir-se" em casa. Não sentir-se à vontade, parece que cada palavra que sai da boca é boba, ou que as pessoas à sua volta não vão muito com sua cara. Sei lá, paranóia talvez.
Mas sabe, sei como é sentir-se em casa. Aquele lugar agradável, onde a luz do sol bate de forma que não te incomoda, mas te aquece na medida exata, onde você pode manter um conversa com seus amigos e ao mesmo tempo fazer as coisas que você tem de fazer, sem ignorá-los, onde o vento nunca é frio, mas agradável. Aquele lugar que você logo pensa: "Oh, that´s my spot!".
No fim, faltam poucos dias para sair do hotel, apenas mais 1 semana e meia. Nem é tanto assim.
Mas no fim ainda vou continuar procurando por um lugar para chamar de "casa".

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Hoje, só para não passar em branco

Hoje.
Hoje odiei lidar com pessoas.
Hoje pensei em desejar o mal a pessoas que sequer conheço, que talvez não mereçam.
Hoje uma conversa com uma velha amiga salvou meu dia.
Hoje dormirei bem.
Mas ainda hoje, só para não passar em branco, reservo um pouco de ódio para algumas pessoas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

bate bola

O Corinthians foi campeão ontem. Confesso que torci um pouco, a despeito do jogo ter sido ruim pacas, o título foi legal.
Não sou grande fã de futebol de fato. Seria incapaz de dizer nomes de jogadores de qualquer escalação. O texto não é sobre isso.
Após o fim do jogo a câmera filmou alguns torcedores. Muitos deles choravam. Choravam de alegria, presumo.
Isso me deu uma certa angústia. Quero dizer, nunca chorei de felicidade, não que eu me lembre. Em eventos "grandiosos" da minha curta vida, nunca chorei de felicidade:
Passei no vestibular em uma faculdade pública. Nada
Me formei. Nada.
Passei em um concurso público. Nada.
Passei em outro concurso público. Nada.
Comprei um PS3. Nada.
Desbloqueei meu Ps3. Nada.
Joguei Mortal Kombat 9... nada...
Enfim... brincadeiras a parte, nunca senti a emoção que aqueles torcedores sentiam... e bem, nem é algo deles mesmo, manja? Eles não ganharam nada, o time ganhou e tal... mas eles de alguma forma absorveram aquilo com uma vitória "deles".
Não quero parecer elitista nem nada. É só uma constatação. Gostaria de sentir essa alegria em momentos pequenos, em conquistas que sequer são nossas de fato.
Hum... acho que eu sou muito egótico para isso talvez... ou talvez não saiba aproveitar essas "pequenas grandes" alegrias da vida, né?
E olha que o jogo foi ruim, hein?


domingo, 13 de novembro de 2011

the end....?

Um novo velho amigo me disse, aliás mais de uma vez, que o bom não é o fim, mas a sua espera. Uma adaptação da máxima popular "o bom não é a festa mas os preparativos".
Durante muito tempo desejamos o fim. Eis que o fim é tão somente ele: o fim.
Durante quase dois meses desejei com toda a minha vontade acabar o treinamento, acho que não somente eu, acho que muitas pessoas assim o quiseram. Queria começar minha nova rotina, minha "nova" vida.
Eis que minha nova vida se desenrola... e aí sinto falta do café da manhã rabugento, do almoço corrido, do truquinho... sinto falta das pessoas que nem faziam diferença para mim, sabe? Sinto falta dos novos velhos amigos que fiz.
Se pararmos para pensar a vida tem um destino único: o fim.
E a graça está em viver, né? É o processo, o preparativo para festa... trágico? Nem é.
Porque fazer uma festa é tipo uma festa, né não?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Da costela

E quantas vezes o tomaram por tolo?
Figura mirrada, pequena... sua timidez se compara a seu físico.
Sorriso de canto de boca, sorriso enigmático: sorriso de Monalisa. Sorri para os outros ou faz graça deles?
E quantas vezes o tomaram por ingênuo.
Discreto e silencioso, observa sempre. Matuta.
E quantas vezes surpreende?
Ser ou não ser não é uma questão. Porque nasce costela e é costela. E assim diz Shakespeare, que fala do Hawaii ou de Bauru, tentando dar significado a um espaço ilusório e transitório.
E se engana quem acha que é carne de pescoço, ou de costela. É filé-mignon.
E não é para fazer sentido. Não é para ter muitas palavras, porque é taciturno.
Só umas palavras a um amigo que surpreende. Sempre.

domingo, 23 de outubro de 2011

Bye bye

Ontem fiz uma fogueira para lá de simbólica.
Empacotei minhas coisas, mudança. Sou péssimo com isso. Odeio mudar. Qualquer coisa, mudar de casa, de emprego, de roupa, de cabelo, de humor. Odeio mudar. Gosto de padrões, gosto de rotina. Por quê? Porque é previsível, oras.
Ignorando meu lado esquizofrênico, as pessoas que me conhecem sabem que eu sou, voltemos ao papo da fogueira.
Empacotei muita coisa. Sobraram muitas coisas. Papéis da faculdade, trabalhos, textos, contas da outra casa, papéis que, se eu precisasse procurar, nunca os encontraria. Queimei-os. Me desculpem os defensores da camada de ozônio.
Enquanto o fogo crescia, devorando letras, entortando folhas de papel, observei com certo contentamento o evento. Me sentia bem por destruir coisas de um passado que... bem... passou, oras bolas.
E não me senti mal por isso... com exceção da camada de ozônio, isso não foi legal. Me senti bem porque o passado está aqui, minhas desventuras na faculdade, minhas dificuldades financeiras e emocionais vividas na outra casa, meus anos passados aqui em Marília, tudo isso está aqui, no peito e na cabeça. Mas elas precisam estar só aqui, e em nenhum outro lugar.
Abandono Marília, após tantos anos, tantas risadas, após tantos amigos, tantos inimigos, jogatinas, bebedeiras, brigas, conciliações, noites insones, dias preguiçosos, almoços de domingo, aniversários, achados e perdidos.
Abandono Marília. E a levo no meu peito.
Sentirei falta de você, cidade com cheiro de biscoito. Mas te carrego no peito. E as folhas que queimaram levaram só o meu medo de ir. A fumaça branca que subiu, as cinzas que dançaram ao vento, me espalharam por todo lugar. Agora sei que todo lugar pode ser minha casa.
Até mais Marília de Dirceu. A gente se vê por aí!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Talk, talk, talk

Uma chuva mais barulhenta do que refrescante caiu esta noite. No telhado de zinco gotas explodiam querendo ser notadas. Todos queriam ser notados, de uma forma ou de outra.
Cada aparelho de celular tocava uma música diferente, se entrelaçando com a canção caótica da chuva, se perdendo em línguas e dialetos conhecidos por poucos, talvez por ninguém. Talvez houvesse comunicação, talvez empatia, talvez amizade, mas certamente solidão.
E de cada boca jorravam palavras que até formavam frases, certamente lógicas, mas que nunca tocariam o sentido que gostariam de representar: as palavras morriam no desespero de sobreviver, de respirar... morriam antes de serem entendidas.
Cada qual tentou se fazer entender. Cada qual tentou se entender. Até a chuva parou para tentar ouvir e entender. Cansou e voltou a chover.
E em meio à torrente incompreensível de enigmas e frustrações nasce confiança. E é irônico. Porque a confiança não precisa de língua alguma para se fazer entender.




domingo, 2 de outubro de 2011

A good man

Algo o prendia ao chão. Não saberia dizer quando recebeu os seus grilhões, aquela culpa e ressentimento, não saberia sequer dizer quem o amarrou. Pior, não saberia dizer qual crime cometera.
Mas estava preso. Em fato, não saberia dizer se algum dia foi livre. As marcas das correntes em seu corpo eram tão antigas quanto ele próprio.
Nunca soube sonhar e voar, como um pássaro no céu imaculado.
Sempre rígido e fixo, como as suas promessas, como os seus deveres.
Se levantava como ídolo para os outros, mas sempre se sentiu um pária.
Sempre representou, nunca foi.
E quando o libertaram não soube o que fazer com tantas possibilidades. Não soube voar. Sonhou pesadelos.
Então se deixou prender novamente. Agora sabia quem o prendera - seus desejos - sabia qual o seu crime - o medo.
E se tornou um ídolo de resignação.
E foi lembrado da forma que nunca quisera:
Ele era "um bom homem".

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Haunted

De frente para o hotel tem uma construção antiga, bem velha. O tempo castigou a alvenaria que, desbotada, ostenta sua idade sem muito orgulho. Um bar fica aberto em horários não muito regulares, entoando músicas de amores fracassados ou hits do momento, embalando casais formados por poucos reais, casais que deixarão de existir em minutos.
Sobre o bar uma série de janelas cobertas por cortinas coloridas escondem lares, famílias.
Em uma delas, a de cortina vermelha, mora um cara. Ele trabalha no calçadão, em uma loja de bijuterias, tem duas crianças, um casal, entre 4 e 7 anos talvez. Eles têm um gato amarelo que passeia pela janela de vez em quando. Vez ou outra uma brasa arde na janela, arremessando cinzas no ar. Vez ou outra ele grita com as crianças. Vez ou outra ele aparece com cara de cansado na janela.
Ele parece um fantasma, um recorte de papel voando ao redor de todo mundo. Alguém nota sua existência? Na perenidade da vida, alguém nota alguém?
No nosso egoísmo rotineiro não percebemos o outro. Sequer nos importamos se a pessoa que passa por nós todo dia, no mesmo horário, é alguém de carne e osso. Tomamos café da manhã no mesmo horário, almoçamos no mesmo lugar, tomamos o mesmo elevador... um teatro mal assombrado.
Nos julgamos de carne e osso, mas nós somos fantasmas uns dos outros. Recortes de papel voando para lugar algum, que só se percebem quando se tocam.
Olhe ao seu lado. O que você vê?


Ps. Eu não sou psicopata. Eu apenas gosto de observar. E tenho imaginação fértil. Apenas isso. Ok?
Ps2. É sério, eu não sou psico.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Muito tempo fora de casa.

Estranho como o tempo passa e não passa, né?
Sempre reclamamos que as coisas demoram para acontecer, que demoram para se resolver, que demoram para se desenrolar... mas quando percebemos estamos com 25, 30 anos, e ainda estamos com expectativas de 10, 15 anos atrás...
Passa e não passa.
Passa porque a máquina da vida não espera.
Não passa porque sempre são as mesmas paradas.
Passa porque nosso tempo em terra é curto para tantas possibilidades.
Não passa porque a gente sabe que não vai dar tempo de ser o que a gente quer, e quer ser aqui e agora.
Passa e não passa.
E essa efemeridade assusta, e essa constância incomoda.
E o tempo em vida é curto, mas o desenrolar é longo.
E a vida é curta mas a morte é eterna.
Só pensei no tempo porque estou quase nos 30, e isso é estranho.
Alguém conhece Come Clarity do In Flames? Ouve lá e me diz o que você acha.
Nada com nada, tudo com tudo.
Não sei o que isso quer dizer. Acho que é muito tempo fora de "casa", muito tempo no hotel.
Tempo com tempo.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

The first and the last

Ela foi o primeiro amor.
O primeiro beijo.
Dele foi o primeiro eu te amo.
Foi para ela o seu primeiro sacrifício.
Ele sempre era o primeiro a pedir desculpas.
E ele foi o primeiro.
O primeiro a se levantar no domingo preguiçoso.
O primeiro a abraçar no desespero.
O primeiro a sorrir na desesperança.
O primeiro a ligar na saudade.
Mas ela sempre foi a primeira a dizer que eles não estavam bem.
A primeira a mentir sobre o que estava errado.
E ele foi último a saber.




quarta-feira, 13 de julho de 2011

Só para tirar a poeira dos teclados.

Fiquei a tarde inteira pensando em escrever um ensaio em sociologuês sobre o poder de anulação de um uniforme, hierarquia, personificação de cargos públicos... mas acabei desistindo. Talvez adiando.
Me perdi pensando em um monte coisa, pensar é uma coisa natural quando se está demasiado ocioso. E olha só, sou um pequeno funcionário público, com merda nenhuma de função e tempo demais para pensar. Me perdi pensando, e me encontrei em um quarto ligeiramente abafado pela noite quente mariliense. Me faz companhia um gato (sim, um animal) de 7 quilos e pouco, um tanto quanto carente, que faz parte da minha vida há algum tempo. Talvez eu não saiba com precisão o tempo, eu não sou muito bom com datas.
Datas se perdem na minha cabeça como idéias. Eu até esqueci sobre o que eu estava escrevendo e esqueci sobre o que eu queria escrever.
E é assim. A gente esquece.
Mas vez ou outra se lembra. Um flash, um blink, e olha ali... está ali. Do seu lado novamente. O quê? Eu não sei. Mas vez ou outra vem. E vai. E volta.
Sabe, grandiosidade nunca foi comigo, manja? Quando era criança até sonhava em ser alguém famoso. Nos meus sonhos de adolescência talvez ser um grande músico, um grande autor quem sabe, mas ser uma grande pessoa algumas vezes me contentou.
E às vezes eu me pego mentindo para mim mesmo, dizendo que não me importo mais com isso. Acabei de fazer isso, né?
Acho que me importo. Talvez todo mundo se importe, é uma constante da nossa sociedade, né? Algo como um "sucessômetro", uma barrinha amarela que sobe e desce, conforme os aplausos da galera.
A grama do vizinho sempre é mais verde, né não? O sucessômetro dele sempre está mais cheio. A platéia sempre aplaude ele.
O gato dormiu. Embolado nele mesmo, para ele. Ignorando minha existência. E eu disse que ele era carente? Acho que não. Talvez eu seja, não é mesmo? Talvez nós sejamos, projetando nos outros o critério para o nosso sucesso.
Queria dormir, embolado em mim mesmo, para mim mesmo. Mas eu sempre durmo esticado, de braços abertos.
Me perdi novamente. Mas logo eu me encontro em outro flash. Em um quarto abafado, ou sob a sombra de uma árvore, vestindo um uniforme que esconde meu rosto e me vincula à um cargo que não diz nada a ninguém.

Só para tirar a poeira dos teclados. Logo eu posto algo com sentido. Prometo.

Tá, não prometo que vai ter sentido, mas logo eu posto outra coisa então.


sábado, 18 de dezembro de 2010

In real life

A função dos sites de relacionamento, blogs e programas de mensagem eletrônicos me é uma incógnita. Sempre acreditei que eram uma forma de aproximação sem comprometimento, de ter e não ser amigo, uma forma moderna e volátil de manter as amizades e sublimar (falsamente) as frustrações cotidianas.

Mas essas ferramentas são úteis... namoros à distância, atualizar fofocas, manter contato com família e amigos que estão longe, etc e tal. Daí entra aquele papo de fins e meios, que gente meio_cult_meio_intelectual_meio_crítico adora falar.

Assim que abri orkut hoje vi uma foto ali do lado, de uma pessoa que estudou comigo. Cliquei, vi no álbum dela fotos de pessoas conhecidas, entrei.

Fotos são sempre felizes. Sempre todo mundo sorrindo. Um mundo estático, paradinho ali... mas como tem vida! Senti uma pequena pontada de inveja por não figurar em nenhuma das fotos daquele álbum. Nunca fui um cara muito pop, sempre cisudo, sempre mal humorado...

Enquanto eu pensava na minha falha épica em me tornar uma das figuras bem lembradas da minha sala, me veio algo na cabeça, a motivação de estar escrevendo essa parada.

Esse mundinho virtual, esse uma espécie de máquina do tempo. Quando me pego pensando no blog, ou nos meus amigos que vez ou outra comentam no blog, eu reconstruo nossa história e a partir dali, crio outras, onde, pasmem, eu posso ser um cara pop na faculdade. O engraçado é que poderíamos fazer isso sem blogs, tweets, facebooks e orkut. Já temos a nossa máquina de realidade virtual na nossa cachola.

Anyway, quando eu encontrar algum dos meus amigos, in real life, me lembrarei de dar um sorriso e dizer que sinto falta deles.


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Na dúvida...

Sol ardido. Talvez a cada ano que passe a Terra esteja mais quente, talvez o buraco da camada de ozônio aumente... eu voto pela proximidade do inferno. Acho que estamos cada vez mais perto dele.
Nessa semana de calor infernal, paradoxalmente a brisa que sopra nesta noite de sexta é quase um açoite: me destrói, arranca pedaços de mim, feito de areia eu me desmancho.
Esse afago da noite me castiga porque sei que não o terei amanhã. Ter algo bom para depois ser privado dele é o pior castigo que um homem pode ter.
Mas muitas coisas nesta sexta me são extraordinárias. O fato da minha namorada ter defendido o TCC, talvez o fato da minha última disciplina do bacharelado ter acabado... o fato de ter folga amanhã.
Mas tudo isso vai ficar para trás logo, e outros problemas começarão. Uma pós quem sabe, uma nova semana de trabalho.
Talvez seja bom, talvez eu me anime, talvez desanime.
Talvez para longe, talvez para perto.
Na dúvida, eu sempre voto pela proximidade do inferno.

sábado, 3 de julho de 2010

xícara de café?

Toc, Toc.
- Ah, é você. Entre.
- Obrigado.
- O que você veio fazer aqui?
- Devolver suas coisas.
- Ah, sim. Obrigada.
- Como você está?
- Bem.
-...
- Ah, desculpa, é de praxe retribuir a pergunta, né? Fazer de conta que se preocupa. Desculpa. "Bem, e você?"
- Isso é tão desnecessário.
- Desnecessário é existir coca light e coca zero, fazer continuação do Todo mundo em pânico, colocar borda de catupiri em pizza de catupiri. Desnecessário é você vir até aqui.
- Ok. Só vim lhe trazer isto.
- Que gentileza a sua. Não quer entrar e tomar uma xícara de café?
-...
- Ah, olha só. Esses cds são meus mesmo.
- Por isso estou te devolvendo.
- É, você já ficou com muita coisa minha mesmo: 2 anos da minha vida.
- Já chega, estou indo.
- Você já foi, meu querido.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Trust me

O princípio básico da cordialidade: “faça para os outros apenas aquilo que você gostaria que fizessem a você”. Podemos colocar outros modelos prontos como “sua liberdade acaba onde começa a minha”, ou ainda, “coloque-se no lugar dele (a)”. Enfim muitas frases que clamam para que nós olhemos o lado do outro.

Frases de mãe quando dá bronca na gente.

A base da sociedade é reconhecer que o homem enquanto indivíduo não é capaz de prover a quantidade de bens necessários para sobreviver. E quanto mais avançamos dentro da modernidade (ou pós, vai saber) mais isso se agrava. E de quebra, quando a gente passa a viver em sociedade essa dependência passa a ir para além do consumo material: dependemos uns dos outros de forma afetiva também. Nem estou falando de amor e tal (embora esteja envolvido e seja legal) estou falando de companhia mesmo, de amizade, de cumplicidade, de confiança no outro.

Nosso tempo é marcado por extrema desconfiança. Dos círculos mais íntimos como a família; dos unidos pela fé e pela moral como em igrejas; nos agrupamentos reunidos por interesses comuns práticos, como o trabalho ou a universidade; e enfim, naqueles relacionamentos escolhidos a dedo, namoros/casamentos/noivados/___________(<- insira aqui alguma forma menos tradicional de sua escolha), temos desconfiança.

E é estranho. Estamos juntos no mesmo barco. Não quero entrar na discussão sobre estranhamento, sobre fetichização das relações sociais, sobre dominação (de qualquer sentido), sobre ética religiosa (cristã ou ________ <- insira aqui uma outra doutrina da sua escolha) não acho que seja necessário. Não preciso de teorias para pensar sobre algo que é muito óbvio: eu preciso de você. Da maneira prática ou da forma mais pura e bela, eu preciso de você. E sei que você também precisa de mim (sem querer parecer cantor de música sertaneja).

Dividimos o mesmo tempo, o mesmo espaço, a mesma comida, a mesma condução, o mesmo trabalho, a mesma casa (parceiros alguns dividem, mas aí vai do gosto de cada um), por que não podemos dividir nossa confiança inabalável em nós mesmos, depositando um pouco nos outros?

E não me olha com essa cara desconfiada! Foi só uma sugestão...