quarta-feira, 28 de março de 2012

Downpour

Pensadores afirmam que um grande passo no desenvolvimento da sociedade foi a racionalização dos eventos naturais. Algo como predição, previsão, chame como quiser. Conhecimento é poder.
Prever consequências, possibilidades. Controlar o externo, o que não depende de você. É um paradoxo: como controlar algo que tem sua existência independente da sua? Indiferente, que te ignora?
Talvez essa previsibilidade seja só um conforto, um agrado diante do monstro que se desdobra diante de nós. Um pequeno local de segurança no meio do caos que dança a sua volta, dos caminhos infinitos que se apresentam. Da responsabilidade das suas escolhas.
"Amanhã irá chover" que afirmação boba. E no final das contas chove. E ficamos felizes com a nossa grande façanha! "Oh futuro, oh amanhã, oh natureza, sabemos seus passos!"
E por puro desdém o céu limpa. O sol brilha. E quando você pisca os olhos, mães correm para o varal para recolher roupas, janelas vão se fechando, e antes que você note... está ensopado.
E quem sabe a moça do tempo até tenha te avisado "Possibilidade de chuva ao final da tarde". Mas a questão não é a chuva, nem a previsão.
A questão é que nunca estamos prontos para o aguaceiro.
Eu até trouxe a sombrinha.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

that´s my spot!

Sentir-se em casa não é fácil. Quero dizer, não sei se é fácil, não é para mim pelo menos. Talvez seja um pouco esquizofrênico, e com isso muitas pessoas irão concordar.
Desde setembro do ano passado tenho passado por uma situação de "não casa". Morando em um hotel durante 2 meses, depois indo para uma cidade "estranha" (me desculpem os adoradores de Rancharia) e agora vivendo em um hotel novamente.
Mas não é o simples fato de não estar em "casa". É o fato de não "sentir-se" em casa. Não sentir-se à vontade, parece que cada palavra que sai da boca é boba, ou que as pessoas à sua volta não vão muito com sua cara. Sei lá, paranóia talvez.
Mas sabe, sei como é sentir-se em casa. Aquele lugar agradável, onde a luz do sol bate de forma que não te incomoda, mas te aquece na medida exata, onde você pode manter um conversa com seus amigos e ao mesmo tempo fazer as coisas que você tem de fazer, sem ignorá-los, onde o vento nunca é frio, mas agradável. Aquele lugar que você logo pensa: "Oh, that´s my spot!".
No fim, faltam poucos dias para sair do hotel, apenas mais 1 semana e meia. Nem é tanto assim.
Mas no fim ainda vou continuar procurando por um lugar para chamar de "casa".

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Hoje, só para não passar em branco

Hoje.
Hoje odiei lidar com pessoas.
Hoje pensei em desejar o mal a pessoas que sequer conheço, que talvez não mereçam.
Hoje uma conversa com uma velha amiga salvou meu dia.
Hoje dormirei bem.
Mas ainda hoje, só para não passar em branco, reservo um pouco de ódio para algumas pessoas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

bate bola

O Corinthians foi campeão ontem. Confesso que torci um pouco, a despeito do jogo ter sido ruim pacas, o título foi legal.
Não sou grande fã de futebol de fato. Seria incapaz de dizer nomes de jogadores de qualquer escalação. O texto não é sobre isso.
Após o fim do jogo a câmera filmou alguns torcedores. Muitos deles choravam. Choravam de alegria, presumo.
Isso me deu uma certa angústia. Quero dizer, nunca chorei de felicidade, não que eu me lembre. Em eventos "grandiosos" da minha curta vida, nunca chorei de felicidade:
Passei no vestibular em uma faculdade pública. Nada
Me formei. Nada.
Passei em um concurso público. Nada.
Passei em outro concurso público. Nada.
Comprei um PS3. Nada.
Desbloqueei meu Ps3. Nada.
Joguei Mortal Kombat 9... nada...
Enfim... brincadeiras a parte, nunca senti a emoção que aqueles torcedores sentiam... e bem, nem é algo deles mesmo, manja? Eles não ganharam nada, o time ganhou e tal... mas eles de alguma forma absorveram aquilo com uma vitória "deles".
Não quero parecer elitista nem nada. É só uma constatação. Gostaria de sentir essa alegria em momentos pequenos, em conquistas que sequer são nossas de fato.
Hum... acho que eu sou muito egótico para isso talvez... ou talvez não saiba aproveitar essas "pequenas grandes" alegrias da vida, né?
E olha que o jogo foi ruim, hein?


domingo, 13 de novembro de 2011

the end....?

Um novo velho amigo me disse, aliás mais de uma vez, que o bom não é o fim, mas a sua espera. Uma adaptação da máxima popular "o bom não é a festa mas os preparativos".
Durante muito tempo desejamos o fim. Eis que o fim é tão somente ele: o fim.
Durante quase dois meses desejei com toda a minha vontade acabar o treinamento, acho que não somente eu, acho que muitas pessoas assim o quiseram. Queria começar minha nova rotina, minha "nova" vida.
Eis que minha nova vida se desenrola... e aí sinto falta do café da manhã rabugento, do almoço corrido, do truquinho... sinto falta das pessoas que nem faziam diferença para mim, sabe? Sinto falta dos novos velhos amigos que fiz.
Se pararmos para pensar a vida tem um destino único: o fim.
E a graça está em viver, né? É o processo, o preparativo para festa... trágico? Nem é.
Porque fazer uma festa é tipo uma festa, né não?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Da costela

E quantas vezes o tomaram por tolo?
Figura mirrada, pequena... sua timidez se compara a seu físico.
Sorriso de canto de boca, sorriso enigmático: sorriso de Monalisa. Sorri para os outros ou faz graça deles?
E quantas vezes o tomaram por ingênuo.
Discreto e silencioso, observa sempre. Matuta.
E quantas vezes surpreende?
Ser ou não ser não é uma questão. Porque nasce costela e é costela. E assim diz Shakespeare, que fala do Hawaii ou de Bauru, tentando dar significado a um espaço ilusório e transitório.
E se engana quem acha que é carne de pescoço, ou de costela. É filé-mignon.
E não é para fazer sentido. Não é para ter muitas palavras, porque é taciturno.
Só umas palavras a um amigo que surpreende. Sempre.

domingo, 23 de outubro de 2011

Bye bye

Ontem fiz uma fogueira para lá de simbólica.
Empacotei minhas coisas, mudança. Sou péssimo com isso. Odeio mudar. Qualquer coisa, mudar de casa, de emprego, de roupa, de cabelo, de humor. Odeio mudar. Gosto de padrões, gosto de rotina. Por quê? Porque é previsível, oras.
Ignorando meu lado esquizofrênico, as pessoas que me conhecem sabem que eu sou, voltemos ao papo da fogueira.
Empacotei muita coisa. Sobraram muitas coisas. Papéis da faculdade, trabalhos, textos, contas da outra casa, papéis que, se eu precisasse procurar, nunca os encontraria. Queimei-os. Me desculpem os defensores da camada de ozônio.
Enquanto o fogo crescia, devorando letras, entortando folhas de papel, observei com certo contentamento o evento. Me sentia bem por destruir coisas de um passado que... bem... passou, oras bolas.
E não me senti mal por isso... com exceção da camada de ozônio, isso não foi legal. Me senti bem porque o passado está aqui, minhas desventuras na faculdade, minhas dificuldades financeiras e emocionais vividas na outra casa, meus anos passados aqui em Marília, tudo isso está aqui, no peito e na cabeça. Mas elas precisam estar só aqui, e em nenhum outro lugar.
Abandono Marília, após tantos anos, tantas risadas, após tantos amigos, tantos inimigos, jogatinas, bebedeiras, brigas, conciliações, noites insones, dias preguiçosos, almoços de domingo, aniversários, achados e perdidos.
Abandono Marília. E a levo no meu peito.
Sentirei falta de você, cidade com cheiro de biscoito. Mas te carrego no peito. E as folhas que queimaram levaram só o meu medo de ir. A fumaça branca que subiu, as cinzas que dançaram ao vento, me espalharam por todo lugar. Agora sei que todo lugar pode ser minha casa.
Até mais Marília de Dirceu. A gente se vê por aí!